Música boa e música ruim

Atualizado dia 24 de Julho de 2006

Olá a todos os fãs da música country, e àqueles que nem são tão fãs assim, também!

Nessa minha coluna, vou simplesmente falar sobre todos os tipos de música que existem na face desta grande bola azul chamada Terra. Prometo, aqui, esgotar todos os gêneros, tipos, rótulos, variações, nomes, caras, jeitos, trejeitos e tudo mais.

Vocês já devem estar se perguntando: será que isso é possível, já que isso varia tanto assim? Dia a dia coisas novas aparecem, em todos os lugares do mundo, com os mais diferentes nomes, nas mais diversas culturas, com inúmeros instrumentos, jeitos muito peculiares de tocar, rituais próprios, e esse cara está me falando que vai falar sobre todos!!???? É, vou...

Vou, porque em cada uma destas inúmeras identidades musicais, formadas por estes fatores que citei, e mais um monte de outros, há apenas um par de resultados que se pode alcançar! Portanto, posso dizer, na maior tranqüilidade: existem apenas 2 tipos de música...

2???!?!?!?!?!?!? Como?!

Só o forró-beat, o maracatu atômico e o sertanejo floriado já são 3!

Pois é, mas em cada um deles, por pior que seja o nosso preconceito, existem sempre os mesmos 2 tipos: a música boa e a música ruim. É simples: ou ela tem conteúdo, ou não!

É realmente perigoso ser taxativo assim, e, até por isso, uma das coisas com as quais sempre tomo cuidado são as generalizações, já que todas elas são burras, inclusive esta... Mas não há como conter: é quase impossível achar um meio-termo; não há uma música de qualidade média... ou ela é boa, ou não é; ou faz a gente sentir alguma coisa, ou leva a gente do nada a lugar nenhum. Em resumo, ou vem realmente do coração, ou não!

Além da generalização, o outro perigo, aqui (e este talvez seja maior ainda) é que se tente definir o que é de qualidade e o que não é e, ainda mais a fundo, achar os limites entre uma coisa e outra. Isso não sou eu nem ninguém que vai dizer com a pretensão de se ter uma verdade absoluta e incontestável, até porque esse limite pode estar num lugar, pra mim, bem longe de onde está pra você. Pois é! E como entenderemos a diferença, já que ela é tão pessoal? Aprendendo a ouvir!

A impressão que tenho de uma música ao ouvi-la pela primeira vez às vezes se modifica na segunda, um pouco mais na terceira, até atingir o que realmente acho dela. Acontece com todos nós, e não sou diferente nisso: o preconceito sempre atrapalha um pouco (se é de tal banda, então não gosto, se é daquela cantora, é sempre meloso). Não é bem assim! Se já estamos dando a chance pra música entrar nos nossos ouvidos, deixemos também que o nosso cérebro a entenda, pra gente saber o que acha após ouvir a música, e não antes, certo?

Um grande passo será dado aí, pois já começaremos a tratá-la com mais atenção, pelo simples fato de nos preocuparmos com isso.

Além, disso, uma coisa que sempre podemos prestar atenção é se a música conta uma história, ou seja, se tem começo, meio e fim. É uma coisa completamente subjetiva, e novamente a impressão de cada um pode ser diferente, mas ao ouvirmos uma música inteira com atenção, se, ao final, tivermos uma impressão que nos dê a idéia de uma situação de vida (sentimentos, vontades, sensações...), algum objetivo a música já terá atingido, e isso terá acontecido por que alguma coisa a mais ela tem. Ruim será se não nos tiver acrescentado nada!

Daí pra frente, a gente passa a perceber que uma boa música leva a gente a viajar para lugares distantes, para um mundo que só ela consegue criar dentro da nossa cabeça. E o melhor de tudo é que esse mundo é uma criação e uma fantasia nossa, já que a música sempre tem o significado que nós mesmos damos para ela.

Terminei minha coluna anterior levantando a bandeira que defendo por aqui, que é “vamos ouvir, e não apenas escutar”. Confesso que é muito difícil fazer as pessoas entenderem isso, e realmente assimilarem em suas mentes, até porque a gente já pensa de segunda a sexta, das 8 às 5, pras pessoas normais, ou outros horários para os loucos como eu, e por que iremos pensar na qualidade musical de uma música enquanto estamos numa balada, por exemplo? Porque vale a pena!

Agora, se você ainda quiser que apareçam novas Eguinhas, Cachorras, Boladonas e tipos assim, seja feliz. Senão, quando aparecer, não ouça, não cante, mude de estação de rádio e reclame com o DJ!

Como sempre: vamos ouvir, e não apenas escutar!!!

Um grande abraço!



André Tomiatto
André Tomiatto é músico profissional, guitarrista da Red Fox, compositor e produtor musical em seu estúdio, o Chá das 5.
tomiatto@terra.com.br


 
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