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A Produção de musica country no Brasil
by Thiago Farah Nassif
Atualizada dia 29/Agosto/07 |
A Musica Country teve seu auge nos anos 90 quando Garth Brooks lançou seu álbum” In Pieces”. Este lançamento trouxe para os paises emergentes a febre da musica de raiz americana. No Brasil desta época, a musica country muito pouco conhecida, passa a ser visada por produtores de todos os ramos musicais. Os produtores de musica sertaneja passam a usar instrumentos como violino, banjo e Steel guitar nos discos mudando assim a cara da cena musical, popularizando ainda mais os cantores. Os produtores de Pop e Rock se espelham na influencia Folk - Country com a utilização de instrumentos acústicos em suas produções. Resumindo, a musica country passa a ser muito bem aceita em cidades de todo Brasil. Porém, como uma bolha, infla, estoura e acaba perdendo, assim, a sua popularidade e, deixando apenas resquícios nas produções.
As vezes me pego pensando se os produtores que utilizam dos recursos dessa musica de cunho tão genuíno entendem a grandeza e expressividade que a musica contem. A critica que aqui faço quanto a produção desse tipo de musica no Brasil, refere-se à utilização vulgar de frases instrumentais, que apesar de serem boas, quando arranjadas de forma exacerbada e desenfreada, se tornam banais e desleais ao próprio estilo. O que eles parecem não entender é que a musica country além de popular, é uma musica que vai em busca de raízes. Ela é crua ao mesmo tempo que é rebuscada. Nela, cada instrumento utilizado quando tocado transmite um sentimento pelas notas bem impostas e pela timbragem captada de forma correta.
Pela pouca pratica e falta de conhecimento mais profundo das raízes deste estilo e, por não termos crescido com esse tipo de musica e, sim, apenas copiarmos pura e simplesmente, acredito que seja o motivo de nossas produções serem ainda tão fracas.
Tendo participado de sessões em alguns estúdios em Nashville TN, capital da musica country, o que mais me impressionou nas produções gringas é o cuidado dado a essas questões. Esse estilo é um dos únicos que ainda preza esses cuidados . Tive contato e consegui entender o quanto estamos atrasados em relação a eles.
As sessões de gravação começam as 8:00 da manha quando as empresas transportadoras trazem os instrumentos dos músicos contratados. Existem três grupos de músicos: o grupo A, B e o C. A seleção de cada grupo é feita pelo produtor. Das 8:00 até as 10:00 os técnicos de som e seus assistentes passam todo som dos instrumentos visando atingir a melhor timbragem possível de cada um. Hoje em dia utiliza-se gravação digital mas a maioria dos periféricos, começando pela mesa de som, pré amps, compressores e equalizadores ainda são analógicos, o que torna o som mais quente e mais colorido. A partir das 10:00 chegam os músicos e a gravação começa, estendendo-se ate as 19:00. São gravadas em torno de quatro musicas por dia e um disco inteiro é gravado e pronto para mixar em torno de quatro dias. Essa eficiência é impressionante. Ver a sinergia entre todas estas peças: musicos, técnicos e produtor funcionando como um relógio faz você entender o porque dos resultados que ouvimos a cada disco que compramos. No Brasil um disco leva no mínimo 5 meses para ficar pronto e a qualidade sonora não chega nem aos pés da dos gringos.
Produzir musica country aqui no Brasil é um desafio mas é confiando no ouvido e no bom gosto musical que podemos chegar a resultados maravilhosos. Uma vantagem que nós temos e podemos usar a nosso favor nas nossas produção é faze-las serem mais soltas e não tão industrializadas como as deles. A desvantagem que vejo nessa eficiência impressionante que citei acima é que ela faz as musicas ficarem um pouco frias e soarem parecidas umas com as outras. É ai que vejo um espaço para as produções brasileiras entrarem. Juntar a competência de buscar bons timbres e bom gosto na utilização das notas com um pouco do brazilian flavor, pode levar-nos a um resultado muito interessante dentro da Country Music.
Thiago Farah Nassif
thinassif@gmail.com
Formado em Nashville, Tennessee, Eua em engenharia de som pela Sae Institute of Technology. Trabalhou no Startstruck Studios - Estúdio de Reba Mcintire e no Sound Stage Studio - Estúdio onde trabalha Chuck Ainlay, tecnico de som de George Strait.
Participou das gravações dos discos de Wade Bowen (Nome nos créditos do disco como engenheiro assistente), George Jones, Pat Green,Vince Gil, Brad Paisley,Kenny Chesney e Jesse Colter (Esposa de Waylon Jennings). Participou da sessão Alan Jackson - live at AOL programa que vai ao ar via on-line com o melhor da musica country americana.
Produziu o novo disco de Rodrigo Haddad que será lançado em setembro na Argentina no festival de São Pedro e no momento esta produzindo o disco da Banda BlackSmith.
Faz parte da Pure Country Band como lead guitar player.
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