Escrever esta coluna é motivo de muita felicidade para mim. Sou uma apaixonada por rodeio e cavalos e não tem nada melhor que conversar sobre estes assuntos, dividindo minhas experiências com vocês. Recentemente fui a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, conhecer o Freio de Ouro, competição máxima da raça Crioula. Me deparei com um mundo totalmente diferente do que eu estava acostumada e adorei tudo que vi por lá. Vou contar um pouco sobre esta raça que fascina. Boa Leitura!!!
O cavalo Crioulo é oriundo das Penínsulas Ibéricas, trazido pelos espanhóis e portugueses ao longo do século XVI para as regiões que formariam a Argentina, Paraguai e Brasil. Selecionado na América do Sul, teve seu início no Brasil, na região do Rio Grande do Sul, como o cavalo usado nas estâncias, para a lida do dia-a-dia dos gaúchos. É um cavalo de trabalho, ideal na lida com o gado, para passeio e enduro, podendo ser utilizado para cobrir grandes distâncias.
Entre suas características, é um cavalo de pequeno porte, com altura média de 1.45m., muito forte e musculado, porém ágil e rápido em seus movimentos. São admitidas todas as pelagens. Cabeça de perfil reto ou convexo; orelhas pequenas; olhos expressivos; pescoço de comprimento médio, provido de crinas grossas; peito amplo; cernelha pouco destacada; dorso curto; lombo curto e garupa semi-obliqua; membros fortes, bem musculados e providos de cascos muito rígidos.
Segundo o Relatório populacional da raça, emitido pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), estão registrados 84.741 animais, entre machos e fêmeas, espalhados por 22 estados brasileiros. São rusticidade e habilidade nas lides de campo suas caracteristias mais marcantes, forjadas por uma rigorosa seleção natural ao longo de 500 anos no sul do continente americano, que apresenta tempetaturas elevadas no verão e extremamente baixas no inverno.
Com o tempo, fez-se necessária, para ajudar na seleção dos animais, a criação de ferramentas onde uns pudessem competir com os outros e dessa forma, os melhores exemplares se sobressairíam. As provas de Morfologia surgiram, onde eram analisados beleza, simetria e também se os indivíduos estavam de acordo com os padrões da raça. As primeiras exposições foram feitas na cidade de Bagé, RS, em 1935. Ao passar dos anos, só a morfologia não bastava, então criou-se as provas funcionais, adaptadas com base na lida das estâncias, introduzidas em 1978. O primeiro Freio de Ouro aconteceu no ano de 1982, sendo realizado na primeira semana da Expointer.
Aos poucos o Freio de Ouro tomou proporções gigantescas e hoje é a maior prova da raça. Em 2007, por exemplo, mais de 1300 animais participaram das seletivas para a final, que aconteceu entre os dias 23 e 26 de agosto, no Parque Assis Brasil, em Esteio, RS. Geeeeteeee, é um lugar enorme, que abriga uma das maiores feiras agropecuárias do Cone Sul, recebendo pessoas de todo o Brasil e também da Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile. Eu andei por lá, em muitas daquelas ruas e não consegui conhecer o parque todo. No caminho de volta para o hotel, dentro do trem (quem for algum dia, faça o trajeto Porto Alegre-Esteio de trem, recomendo), estava exausta, porém, maravilhada com tudo que eu tinha visto.
Eu cheguei lá sem entender de quase nada, mas com a ajuda de Ana Maria, Vilson, Alemão e Álvaro, gaúchos simpáticos da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Crioulo – ABCCC – saí entendendo todas as provas e tinha até escolhido um animal para torcer. Para se tornar campeão do Freio de Ouro, o animal passa por diversas etapas. Primeiro, é necessário competir nas Credenciadoras, que não tem um número limite e de cada uma são selecionados quatro machos e quatro fêmeas. Os que passaram de fase partem para a competição das Classificatórias, que hoje são 11, nove no Brasil e mais duas na Argentina e Uruguai. Quatro machos e quatro fêmeas são classificados para a final do Freio de Ouro, que conta com 88 animais (44 machos e 44 fêmeas).
As disputas da final começaram na quinta, dia 23, com a prova de Morfologia. Na sexta, tiveram as provas de Andadura, Figura e Volta Sobre Patas/Esbarradas. O sábado, dia de maior movimento, ficou reservado para a prova de Mangueira de manhã e a prova de campo – Paleteada, a tarde. O domingo, onde há um corte e acontece a final propriamente dita, começou novamente pela prova da Mangueira, seguida pelo Bayard e finalizando com a Paleteada, ápice da competição.
Explicando as provas:
Andadura: Analisa o tranco, trote e galope;
Figura: O animal faz um percurso pré-estabelecido entre fardos, dispostos na pista, a galope. O objetivo é traçá-lo corretamente o mais rápido possível. Como não é uma prova de velocidade, é importante fazer o percurso corretamente;
VSP/Esbarradas: Analisa o animal dando volta sobre suas patas e também no trabalho de parada, ou esbarros. Ele deve obedecer ao comando do ginete em cada manobra, sem reação. Quanto mais agrupado tiver o animal, melhor;
Mangueira: É realizada em uma arena de 16mX9m. Na primeira parte, entram dois novilhos e após a escolha do juiz, o ginete com o cavalo deve manter um deles apartado por até 45 segundos. A segunda parte denomina-se pechada, onde entra somente um novilho e o cavalo deve ‘pechar’ na altura da paleta do novilho, dos dois lados, fazendo-o mudar de curso. É importante lembrar que o animal deve seguir os comandos do ginete;
Bayard: Consiste em uma seqüência de quatro Esbarros e Volta Sobre Patas, na pista de campo, 160 m, ida e volta;
Paleteada: Ou prova de campo, o oitavo momento funcional do cavalo. Em duplas, formadas conforme a classificação das médias, os animais saem do brete com o novilho ao centro deles, dos 30 aos 80 m, param e o reconduzem de volta ao brete. O processo é repetido, trocando as duplas de lado. Normalmente é a fase que define o campeão do Freio.
Sugiro que façam uma pesquisa no site da ABCCC para ver fotos e obeter mais informações sobre o Freio. Tenho certeza que só enriquecerá sua cultura sobre cavalos.
Bonita de Santa Edwiges entre as fêmeas confirmou a liderança das etapas funcionais e levou para a Cabanha Santa Edwiges, de São Lourenço do Sul, RS, mais um Freio de Ouro, com média final 20.702, tendo Milton Castro como ginete. Milton levou ainda a premiação de Domador do Ano. O Ouro nos machos ficou com Senhor de Santa Thereza, da Fazenda Capão da Lagoa, Porto Alegre, RS, com média final 20.242, que soube ganhar posições importantes sob as rédeas de José Carlos ‘Zeca’ Macedo. A comercialização de cavalos Crioulos anda em alta. Os preços se elevam após uma conquista como a do Freio, chegam até a duplicar de valor. Além de ser a competição máxima da raça pelo número de animais e também de pessoas assistindo (cerca de 5 mil), é também meio de valorizar os criatórios. Muita coisa boa já aconteceu com os Crioulos, e muito mais está por vir. É o mundo do cavalo sempre em ascensão!!!!
Beijos!!
E Até a Próxima!!!