Festa do peão e do povo

Atualizado 07/Setembro/2008


Como se fosse uma ópera a céu aberto, a Festa do Peão de Barretos, abre suas cortinas e oferece sua passarela country para o desfile de milhares de figurantes. Alegres imigrantes aventureiros invadem o parque do peão seguindo a bússola do coração, reverenciando a liberdade de expressão e cavalgando por entre trilhas sonoras de diferentes estilos musicais.

Do batuque frenético de uma escola de samba ao repicar da viola bem ponteada. E dançam ao som do rock and rodeo dos criativos Djs e locutores, num misto de magia e folia sem pretensão. A festa é uma constante profusão de ritmos, cores, formas, devoção religiosa e gente bonita de olhares apaixonados. De desafios, coragem, derrotas e vitórias, de trechos poéticos, rimas bem construídas pelos sapateados folclóricos de catiras e manifestações espontâneas. Enfim a arte do campo vai evoluindo em cenas apresentando sua paisagem rural, costumes e história, que a cada instante vão formando um painel pictórico de artistas anônimos sintetizando o discurso boiadeiro.

Toca o berrante a sinfonia sertaneja, lembrando saudoso os acordes que regiam o caminhar da boiada no estradão e a hora da bóia, refogada preguiçosamente á sombra do ipê amarelo. Hoje o saboroso concurso da queima do alho resgata a tradição e a saga dos antigos tropeiros. E são muitas as imagens eternizadas na memória.Passeando pelas avenidas do comercio da feira livre, conseguimos entender porque a praça é do povo. Mas é dentro do estádio de rodeio que a vida pulsa mais forte. 

Um coro de milhares de vozes  dissonantes, entoam hinos ruidosos e diálogos irracionais, interrompidos somente por vaias e aplausos eufóricos. Gritos de guerra incentivam a ôIa e o público coreógrafa sua energia, formando uma onda radical de corpos surfando o imaginário e comandando o espetáculo.

A festa passa a galope por entre olhares ansiosos e impacientes. Quem participa dificilmente volta indiferente, muito pelo contrário, leva  consigo a certeza de ter  contribuído com intensidade para com o sucesso do evento. A festa do peão não tem começo e nem fim ela é o meio, um meio de levar inúmeras mensagens afins, sendo a principal a idolatria ao rodeio.

Ela é uma experiência paradoxal, que instiga guardar para sempre em segredo bons momentos, lagrimas e sorrisos singelos. Ela inova na releitura da alegria, se dispersa em frases rápidas e convidativas, projeta visões multicores fragmentadas para serem montadas na memória agora.

E no futuro formarão um conjunto de figuras que justificam estranhas verdades e mentiras. O Brasil que aqui se encontra todos os anos e que promulga a satisfação e o otimismo a todo instante, é o Brasil que o brasileiro almeja, que não tem vergonha de ser chamado de caipira , de ter “Curtura”e nem medo de ser feliz.

Marcelo Murta
Executivo de Negócios
Consultor e palestrante

murtamurta@hotmail.com


Leia as colunas anteriores de Marcelo Murta abaixo:

 
MoreCountry - Marca Registrada - Todos os direitos reservados
Entre em contato conosco no email falecom@morecountry.com.br